
Sim, é verdade que não partilho da euforia estrogénica que gira em torno do Brad Pitt. Mas admito que é ele o protagonista de alguns filmes que me marcaram, como Seven ou Fight Club (talvez o realizador seja a explicação). Sim, chorei baba e ranho com a história de um Benjamin que nasce pequenino, em tamanho, mas portador das patologias de um homem de 80 anos. A história da vida de alguém que caminha na direcção contrária. Sim, é verdade que o filme lança alguns motes cliché, de fácil comoção, como o “nunca sabes o que vai acontecer amanhã”, “nem tudo o que parece é”, “nunca é tarde demais para fazer e acontecer”. Sim, é verdade que o filme é longo (cerca de três horas). Mas também é verdade, e inegável, que o desempenho de Brad Pitt e Cate Blanchett é fantástico e o trabalho de caracterização surpreendente. Brad Pitt surge irrepreensível quer na versão envelhecido e encovado – ao mesmo tempo que exalta curiosidade e vivacidade no olhar da criança que é –, quer na meia-idade, nos trintas ou na adolescência (como o fizeram parecer tão novo?!). Cate Blanchett está simplesmente magnífica na pele da mulher que sempre viu para lá das rugas, brancos e acne de Benjamin. Sim, é filme, ficção da mais elaborada. Comove na medida certa com que precisava de ficar comovida. Sim, gostei muito. Vão ver.