domingo, 1 de fevereiro de 2009

The Curious Case of Benjamin Button


Sim, é verdade que não partilho da euforia estrogénica que gira em torno do Brad Pitt. Mas admito que é ele o protagonista de alguns filmes que me marcaram, como Seven ou Fight Club (talvez o realizador seja a explicação). Sim, chorei baba e ranho com a história de um Benjamin que nasce pequenino, em tamanho, mas portador das patologias de um homem de 80 anos. A história da vida de alguém que caminha na direcção contrária. Sim, é verdade que o filme lança alguns motes cliché, de fácil comoção, como o “nunca sabes o que vai acontecer amanhã”, “nem tudo o que parece é”, “nunca é tarde demais para fazer e acontecer”. Sim, é verdade que o filme é longo (cerca de três horas). Mas também é verdade, e inegável, que o desempenho de Brad Pitt e Cate Blanchett é fantástico e o trabalho de caracterização surpreendente. Brad Pitt surge irrepreensível quer na versão envelhecido e encovado – ao mesmo tempo que exalta curiosidade e vivacidade no olhar da criança que é –, quer na meia-idade, nos trintas ou na adolescência (como o fizeram parecer tão novo?!). Cate Blanchett está simplesmente magnífica na pele da mulher que sempre viu para lá das rugas, brancos e acne de Benjamin. Sim, é filme, ficção da mais elaborada. Comove na medida certa com que precisava de ficar comovida. Sim, gostei muito. Vão ver.

Saber perder

Há dias em que se ganha, outros em que se perde. Ultimamente, tenho experimentado simpáticos exemplos do segundo grupo.
Perdi a oportunidade de tirar a carta à primeira, mantendo a linhagem familiar de encartados sem nódoas. Perdi a sorte de circular por aí com o carro que o Expresso, surpreendentemente, não me atribuiu e que eu apregoava, aos sete ventos, que iria ganhar (especificando até que seria o modelito do José Luís Peixoto). Perdi a consideração por uma pessoa que descubro encaixar, e de que maneira, no perfil – muito ruim – que já me haviam desenhado. Perdi o meu par de jeans favorito, rasgadinho mesmo entre as pernocas.
Mas, diz também a sabedoria popular que, quando uma porta se fecha, lá se abre uma janelita. A carta, lamento família, terá de ser conseguida da próxima vez. Saldo positivo para mim que acabo de ganhar, não um carro, mas dez maravilhosas aulas de condução matinal e novo exame, com sorte, avaliado pelos mesmo senhor “examinador terror” cá do sítio. Saldo negativo para a minha conta que já leva menos 300 euros à custa deste chumbo. O carro do Expresso era mesmo muito pequenino. Os meus amigos até são grandes e muitos. Não ia conseguir levá-los a sentir a adrenalina da minha condução – com um “grave defeito a corrigir”, nomeadamente na direcção – devida e solidariamente acompanhados. O Toyota só dá mesmo para quatro pessoas elegantes e circular num carro com a mensagem “vem andar no meu carrossel” pode dar azo a interpretações dúbias e pouco castas. A pessoa por quem perdi a consideração perdeu, não um, mas vários passeios no carrossel, na montanha russa, enfim, num parque de diversões ao qual, lamentavelmente para ele, nunca terá acesso. Ganho eu. Mais juízo. Perdi os meus jeans mas ganhei compostura. Sim, que andar com calças perigosamente gastas pode não ser muito boa ideia. Fecharam-me a porta. Sim. Mas, vá lá, abriram-me um buraquinho. Nem tudo é mau.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

No time to think of consequences

Já agora, aprofundando o meu vício, quem não conhecer a versão dos Kooks pode ouvi-la nos Registos Sonoros do Tiago Crispim.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Take only what you need from it

Desde a noite de ontem que esta música não me sai da cabeça. Tanta energia positiva.

(Com o devido agradecimento à JP)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O post obrigatório

2008 tem sido verdadeiramente cheio, intenso, inesperado. Olhando para outros anos – e assumindo o facto deste ser o mais recente, logo, o mais fresco na memória – atrevo-me a dizer que este está a ser aquele que mais mudanças tem impresso na minha vivência. Novo emprego (com tudo o que isso implica). O reencontro com alguém especial do passado (e que ainda hoje me faz estremecer). A sua música, ao piano (tanto talento). Nova morada (nos dias de semana) numa (ainda) estranha localidade. Conhecer e conviver com alguém que sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo (embora não assumido). Novas amizades (já tão essenciais). As suas crianças lindas (tão espontâneas, tão fáceis de amar). O perdão e a segunda oportunidade para alguém que danificou o lar que finalmente elegia (é passado, já passou). O concerto do David Fonseca no Coliseu (o elogio à criatividade). O reatar de velhas e boas amizades (nunca se perderam). A primeira viagem de avião (levitação). Os Açores (beleza pura). Uma amiga que partiu cedo demais (fica o seu sorriso, sempre rasgado e fácil). A (re)descoberta do Fado (Ana Moura e Deolinda). O Pois Café (ai, a preguiça). Conduzir um automóvel pela primeira vez (a autonomia que tanto anseio). O concerto da Aimee Mann (fantástica). O reforço de uma amizade há anos celebrada (tão preciosa). Os reencontros (deliciosos). Todos os meus amigos (lindos, presentes, autênticos). A minha família (sempre).

It took me nearly a year to get here. It wasn't so hard to cross that street after all, it all depends on who's waiting for you on the other side. (My Blueberry Nights)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Para ti (aviso: o teor deste post é altamente lamechas)

Agora que sabes que esta AR sou eu, apetece-me dizer à blogosfera, estratosfera, atmosfera e tudo quanto está para lá de nós…como é precioso ter-te por perto. Sempre aí. Desse lado. O primeiro bom dia (online, ok) de todos os dias. A tua adoração – e meu repúdio – pelas segundas-feiras. O meu gosto pelo preto, a tua tendência – exacerbada – pelo branco (“é muito giro” ao que eu respondo “não é nada”). Começo a achar que tens razão – aliás, sempre tiveste – e que os opostos se atraem e resultam lindamente. E, ao mesmo tempo, pergunto se seremos assim tão opostos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Da confiança

Não confiamos no vizinho do lado, sempre sorridente (deve ser cinismo), no marido que chega tarde a casa (deve ter outra), na amiga que fala demais (foi ela que contou o segredo), no filho que perdeu o dinheiro do lanche (deve ter ido comprar porcarias).

Mas, na estrada, confiamos no Outro e no cumprimento do Código. Avançamos perante o verde, entramos na rotunda porque o carro que lá vem assinala intenção de sair. Ultrapassamos. Não duvidamos que a viatura da frente não vai acelerar e desviar-se para a esquerda, dificultando a manobra.

Circulamos. Todos os dias. E nem questionamos se um qualquer louco não virá em contra-mão. Na nossa direcção.

E na vida, simplesmente já não confiamos. Nem nos actos, nem nas palavras, nem nas promessas, nem nas boas intenções. São sempre maliciosos, falsos, vazios. Pontos com nó. Ofertas com cobrança. Chamadas a pagar no destino. Publicidade enganosa.

Morremos nas estradas (mais de 700 pessoas perderam a vida este ano) e não arriscamos na vida, confiando mais.