2008 tem sido verdadeiramente cheio, intenso, inesperado. Olhando para outros anos – e assumindo o facto deste ser o mais recente, logo, o mais fresco na memória – atrevo-me a dizer que este está a ser aquele que mais mudanças tem impresso na minha vivência. Novo emprego (com tudo o que isso implica). O reencontro com alguém especial do passado (e que ainda hoje me faz estremecer). A sua música, ao piano (tanto talento). Nova morada (nos dias de semana) numa (ainda) estranha localidade. Conhecer e conviver com alguém que sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo (embora não assumido). Novas amizades (já tão essenciais). As suas crianças lindas (tão espontâneas, tão fáceis de amar). O perdão e a segunda oportunidade para alguém que danificou o lar que finalmente elegia (é passado, já passou). O concerto do David Fonseca no Coliseu (o elogio à criatividade). O reatar de velhas e boas amizades (nunca se perderam). A primeira viagem de avião (levitação). Os Açores (beleza pura). Uma amiga que partiu cedo demais (fica o seu sorriso, sempre rasgado e fácil). A (re)descoberta do Fado (Ana Moura e Deolinda). O Pois Café (ai, a preguiça). Conduzir um automóvel pela primeira vez (a autonomia que tanto anseio). O concerto da Aimee Mann (fantástica). O reforço de uma amizade há anos celebrada (tão preciosa). Os reencontros (deliciosos). Todos os meus amigos (lindos, presentes, autênticos). A minha família (sempre).
It took me nearly a year to get here. It wasn't so hard to cross that street after all, it all depends on who's waiting for you on the other side. (My Blueberry Nights)
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Para ti (aviso: o teor deste post é altamente lamechas)
Agora que sabes que esta AR sou eu, apetece-me dizer à blogosfera, estratosfera, atmosfera e tudo quanto está para lá de nós…como é precioso ter-te por perto. Sempre aí. Desse lado. O primeiro bom dia (online, ok) de todos os dias. A tua adoração – e meu repúdio – pelas segundas-feiras. O meu gosto pelo preto, a tua tendência – exacerbada – pelo branco (“é muito giro” ao que eu respondo “não é nada”). Começo a achar que tens razão – aliás, sempre tiveste – e que os opostos se atraem e resultam lindamente. E, ao mesmo tempo, pergunto se seremos assim tão opostos.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Da confiança
Não confiamos no vizinho do lado, sempre sorridente (deve ser cinismo), no marido que chega tarde a casa (deve ter outra), na amiga que fala demais (foi ela que contou o segredo), no filho que perdeu o dinheiro do lanche (deve ter ido comprar porcarias).
Mas, na estrada, confiamos no Outro e no cumprimento do Código. Avançamos perante o verde, entramos na rotunda porque o carro que lá vem assinala intenção de sair. Ultrapassamos. Não duvidamos que a viatura da frente não vai acelerar e desviar-se para a esquerda, dificultando a manobra.
Circulamos. Todos os dias. E nem questionamos se um qualquer louco não virá em contra-mão. Na nossa direcção.
E na vida, simplesmente já não confiamos. Nem nos actos, nem nas palavras, nem nas promessas, nem nas boas intenções. São sempre maliciosos, falsos, vazios. Pontos com nó. Ofertas com cobrança. Chamadas a pagar no destino. Publicidade enganosa.
Morremos nas estradas (mais de 700 pessoas perderam a vida este ano) e não arriscamos na vida, confiando mais.
Mas, na estrada, confiamos no Outro e no cumprimento do Código. Avançamos perante o verde, entramos na rotunda porque o carro que lá vem assinala intenção de sair. Ultrapassamos. Não duvidamos que a viatura da frente não vai acelerar e desviar-se para a esquerda, dificultando a manobra.
Circulamos. Todos os dias. E nem questionamos se um qualquer louco não virá em contra-mão. Na nossa direcção.
E na vida, simplesmente já não confiamos. Nem nos actos, nem nas palavras, nem nas promessas, nem nas boas intenções. São sempre maliciosos, falsos, vazios. Pontos com nó. Ofertas com cobrança. Chamadas a pagar no destino. Publicidade enganosa.
Morremos nas estradas (mais de 700 pessoas perderam a vida este ano) e não arriscamos na vida, confiando mais.
Cada vez gosto mais de pessoas
Ontem, no mesmo autocarro, duas conversas surreais.
1ª
Intervenientes: duas caloiras da faculdade.
- Conheces a R.? A filha da professora de Sociologia?
- Não estou a ver quem é. Porquê?
- Foi atropelada. Na semana passada. Numa passadeira.
- Mas e ela, como está?
- Já está em casa. De saúde está bem…mas parece que ficou com a cara toda desfigurada.
- Mas ela era gira???
- Nãaaaaaaaaaoooooooooo. Usava aparelho. E óculos.
- Ah OK.
2ª
Intervenientes: motorista de serviço e motorista fora de expediente.
- Opah, as pessoas são muito engraçadas. Quando um gajo ‘tá a fazer tempo para o carro sair, reclamam porque não chegamos o carro para perto da paragem. Porque estão ao frio e ao relento. Mas olha, elas não nos fazem favores, a malta é que faz o favor de transportá-los. Nós fazemos favores. Um gajo às vezes abre a porta antes da hora, faz o jeito e nem um obrigado, nem um boa tarde. Então olha, que fiquem ao frio. Percebes?
1ª
Intervenientes: duas caloiras da faculdade.
- Conheces a R.? A filha da professora de Sociologia?
- Não estou a ver quem é. Porquê?
- Foi atropelada. Na semana passada. Numa passadeira.
- Mas e ela, como está?
- Já está em casa. De saúde está bem…mas parece que ficou com a cara toda desfigurada.
- Mas ela era gira???
- Nãaaaaaaaaaoooooooooo. Usava aparelho. E óculos.
- Ah OK.
2ª
Intervenientes: motorista de serviço e motorista fora de expediente.
- Opah, as pessoas são muito engraçadas. Quando um gajo ‘tá a fazer tempo para o carro sair, reclamam porque não chegamos o carro para perto da paragem. Porque estão ao frio e ao relento. Mas olha, elas não nos fazem favores, a malta é que faz o favor de transportá-los. Nós fazemos favores. Um gajo às vezes abre a porta antes da hora, faz o jeito e nem um obrigado, nem um boa tarde. Então olha, que fiquem ao frio. Percebes?
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Aniversários do mês
Dezembro
08 - Sopra as velas a VV, moçoila de cabelo claro e olhos azuis.
14 - Cantamos os parabéns à nossa Aninhas algures no areal de Sintra. Ou talvez não. S.Pedro, sê simpático sim?
25 - Como não poderia deixar de ser, o Menino Jesus.
08 - Sopra as velas a VV, moçoila de cabelo claro e olhos azuis.
14 - Cantamos os parabéns à nossa Aninhas algures no areal de Sintra. Ou talvez não. S.Pedro, sê simpático sim?
25 - Como não poderia deixar de ser, o Menino Jesus.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Descubra as diferenças


Que eles têm algumas afinidades ideológicas, está bom de ver, mas já repararam como o Mário Nogueira e o Mao Tse Tung são fisicamente parecidos? Ao Mao só lhe faltava o bigodinho à seleccionador nacional para ser um grande líder sindical. É verdade, o Carlos Queiroz já não possui pilosidades supralabiais, mas os resultados estão à vista - seleccionador nacional tem de ter bigodaça para ter sucesso!
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
We want change
Não se tem falado de quase mais nada sem ser disto, mas acho que o momento não podia passar sem referência no "tudo a posts".Já deixei a minha opinião num comentário a um post no blog da Ana, que assino por baixo (http://nuncasempretudoounada.blogspot.com/2008/11/yes-we-can-yes-we-won.html), mas deixo aqui um texto que o António Barreto escreveu, e muito bem, no Público:
"O fardo do Presidente Obama
Foi uma extraordinária vitória. Só por isso, o dia será recordado. O novo Presidente dos Estados Unidos foi eleito num clima excepcional. Internamente, mas sobretudo internacionalmente
O mundo inteiro, ou quase, deposita nele enormes esperanças. Ilimitadas, mesmo. É talvez o Presidente americano eleito com maior expectativa favorável no mundo inteiro. Espera-se dele que resolva as questões do Iraque, do Irão, do Afeganistão e do Paquistão. Do terrorismo internacional. Do Próximo Oriente. De grande parte de África. Do comércio internacional. De defesa da Europa e do Atlântico. Das relações difíceis com a Rússia. De proliferação das armas atómicas. De controlo da degradação do ambiente. De regulação das actividades financeiras internacionais. De controlo da especulação capitalista. Do aparente declínio da América. E de problemas internos urgentes: a saúde pública, a pobreza, as relações raciais e a crise da educação.
Certo é que ele não vai resolver nem uma grande parte deste cardápio assustador. O exagero de expectativas traz sempre um excesso de desilusões. O mais provável é que, dentro de meses, estas últimas comecem a exprimir-se. Mas a verdade é que as expectativas positivas podem ter algo de uma profecia que se realiza a si própria. Por isso foi bom que Obama tenha ganho. O clima geral, nos EUA e no mundo, é favorável à sua presidência e ao seu papel. É possível que a sua simples eleição, por causa deste clima, seja um trunfo para ir resolvendo alguns daqueles problemas. A eleição do seu rival e a persistência do fantasma de Bush teriam sido desastrosas. Prosseguir o deslizamento político, moral e financeiro nos abismos para que a Administração Bush empurrou a América teria sido catastrófico.
Ser negro não lhe dá nenhuma vantagem política, intelectual ou moral. Mas o facto de o ser, pelo que significa para a sociedade americana, deu-lhe trunfos valiosos. E esse é um feito, não dele, mas dos Estados Unidos. Que outro país, da Europa, de África ou da Ásia será capaz de eleger presidente um membro de uma minoria étnica? Nesse facto reside talvez esta monumental coligação de simpatizantes através do mundo. Os que são minorias ou como tal são tratados, seja por razões religiosas, étnicas, sexuais ou nacionais, reconhecem-se facilmente nele. Muitos dos amigos da América vêem-se hoje ao lado dos europeus antiamericanos, que são multidão. Esquerda e direita, por esse mundo fora, preferem Obama. Estas coligações são pouco saudáveis. Mas permitem respirar, descomprimir e, espera-se, pensar. Assim como falar com todos. O que talvez seja a fundação de uma nova autoridade. Imprescindível por todas as razões e mais uma: a de poder contrariar o excesso de ilusões."
(Foto Jason Reed/Reuters)
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