domingo, 11 de maio de 2008

Ou então é só porque me identifico com o Zavalita

Se “Conversa na Catedral” não é o meu livro favorito, então não sei qual é. É tudo bom: o retrato social, a imprevisibilidade, o domínio ímpar da ordem narrativa. É daqueles romances que, por tão apaixonantes, criam a ambiguidade: queremos chegar ao desfecho a todo o custo, mas também desejamos que o livro nunca chegue ao fim.

A acção é contada através de uma sucessão de analepses e prolepses. No início do livro, Santiago Zavala, o protagonista, encontra-se com o velho motorista da família, a quem não via há anos. A longa conversa entre ambos, que conta, a espaços, com a participação de um colega de trabalho de Santiago, é o eixo estrutural à volta do qual a narrativa vai crescendo.

Os diálogos são intercalados com acção e com outros diálogos. Ao todo, Mario Vargas Llosa conta cerca de 30 anos numa sucessão de analepses e prolepses, através das quais vamos percebendo, peça a peça, o sentido da intriga. À medida que tenteamos o caminho à nossa frente, arriscando desenlaces, o autor faz-nos regressar ao passado para consolidar a compreensão da estória.

E o mais fantástico é que não nos perdemos. Mario Vargas Llosa é estupendamente criterioso na forma como nos vai negando ou cedendo elementos para a compreensão da acção. Nada a mais, nada a menos. Por vezes, cruza sentimentos similares em épocas distintas, num estímulo à identificação; outras, intercala a vida de personagens díspares, evidenciando o contraste.

O resultado é uma prosa cristalina e sem escolhos. E a sensação de que não há forma mais natural de escrever.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Comunicação precisa-se!

Vivo num paradoxo imenso. Trabalho em comunicação e deparo-me, diariamente, com graves problemas de comunicação entre elementos chave do meu pequeno universo laboral. E estes problemas de comunicação, que acabam por ter consequências no ambiente de trabalho, devem-se a uma paradoxal e total ausência de…nem mais, comunicação.

A falta de diálogo entre seres humanos é algo que me provoca tremenda alergia. Já vi relações acabarem por prolongada ausência de comunicação, outras que nem começaram devido ao mesmo motivo e, agora, vejo projectos com imenso potencial acabarem assim, antes mesmo de começarem, por causa da maldita abstinência de comunicação.

Que me interessam os elevados numerus clausus anuais das licenciaturas de comunicação, os cogumélicos masters, os MBA, as pós, os doutoramentos, os mestrados, os festivais, os workshops…se depois, na prática, as pessoas simplesmente não comunicam? Que paradoxo…escrever comunicados de imprensa para, precisamente, comunicar eventos, posições, produtos, pessoas, ideias…e constatar que, a escassos metros de distância, parte do meu público-alvo mais próximo, diga-se, geograficamente próximo, é impermeável a releases de diálogo honesto e adulto.

O facto desta ausência de comunicação, e consequente fim que se avizinha, ser totalmente exterior à minha pessoa e actividade aumenta ainda mais a minha “irritação” e incompreensão perante as atitudes que tenho vindo a testemunhar.

E, assim, nesta impotência forçosamente a cumprir, assisto ao fim anunciado de projectos em que acreditava, mesmo não sendo meus, e ao afastamento eminente de uma presença que, ainda que pouco presente, lá me ia enchendo de indisfarçado contentamento. Teremos sempre a comunicação meu caro.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A pouco e pouco...



Ontem quando entrei na cozinha da minha mãe não pude deixar de esboçar um sorriso...

A Dona Gi diz que estavam boas.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Post-It



Comprar:

1 dose de paciência

1 bloco de post-its para oferecer a pessoas esquecidas

Bom senso q.b.


(Nota: serve este post de post-it. Na ausência de post-its físicos, fica aqui a dica para mim mesma. As desculpas aos leitores pelo incómodo mas isto até dá um certo jeito)

terça-feira, 29 de abril de 2008

Violet Hill

Acabei de ouvir, por acaso (vá lá, sorte), e em exclusivo mundial, a nova dos Coldplay.

"Violet Hill" é o single do muito aguardado “Viva La Vida or Death and All His Friends”.

Diz a 3 que o single está disponível para download gratuito no site dos Coldplay durante uma semana. Pior é que a página nem abre...tal é a caça à borla.

Que bom ouvir a voz do Chris Martin, em faixa inédita, depois de horas ao telefone com vozes mal humoradas num mesmo registo de amargura e má educação. Senhores! Um pouco de alegria no trabalho não fazia mal a ninguém, pois não?

terça-feira, 15 de abril de 2008

David Fonseca




Muito já se escreveu e falou sobre o concerto de David Fonseca no Coliseu. Porque muitas palavras nem sempre dizem tudo, descrevo o espectáculo como uma celebração da vida. Enérgico, dinâmico, inesperado.

“Para quê ter pressa em chegar se o que mais interessa é a viagem?”.

Obrigada pela viagem David. Ainda por cima, o bilhete foi gratuito :)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Descubra as diferenças



Mais alguém acha que o presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, é o secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo, sem óculos?